8 de dezembro de 2014

O dia em que a arte morreu



20 de setembro de 2115
Quem sou eu? Penso que estou ficando louco. Neste momento desci ao porão para escrever e permaneço debaixo de uns toldos, ao lado de baratas e ratos. Essa folha é um pouco pequena demais e, por isso, minhas palavras estão tão miúdas. Mas é a primeira que vejo em 10 anos um lápis! Não o via, desde que baniram o coitado. Mas o que pode fazer um lápis? Muito. O lápis é símbolo de revolução. Porém, já estou velho demais e cansado para isso.
Lembro-me daquele outono. Provavelmente, seria a última apresentação de dança de Merlly e de muitas outras. A minha amada estava tão nervosa. Sua apresentação foi divina, mas poucas pessoas estavam lá para ver a última dança. Todos tinham muito medo. Naquele dia noticiaram na rádio que não passariam mais músicas e todo o tipo de arte deveria ser extinta. Quando Merlly terminou, ela caiu sobre o palco e desabou em choro como nunca vi na vida.

5 de dezembro de 2014

Coruja Cult #1: Tim Maia - Da Tijuca para o mundo

Se há uma palavra que possa descrever Tim Maia, essa palavra é: intenso. A intensidade com que o cantor vivia cada momento de sua vida, quando tentava se sobressair contra quaisquer dificuldades era sempre extrema. Os extremos na vida dele também foram recorrentes: do jovem Tião entregador de marmita da Tijuca ao Rei do Soul brasileiro em 1970 e, depois disso, ao seu declínio causado por si mesmo - pela sua arrogância e seus excessos. Assim, Sebastião Rodrigues Maia é descrito com detalhes, durante 2h20min na sua cinebiografia, baseada no livro Vale Tudo - O som e a Fúria de Tim Maia.

O filme conta desde a sua infância até seu último verso cantado em seu último e fatídico show no Teatro Municipal de Niterói, em 15 de março de 1998. “Vou pedir...”. Em seus primeiros anos, na Tijuca, Tião da Marmita era o caçula dentre 11 filhos, e tentava buscar o seu espaço no mundo. Desde cedo, lidava com situações que moldaram o seu caráter explosivo e tão volátil. Volátil num sentido literal: de mudar de opinião sem o menor pudor e voltar a uma opinião antiga num simples piscar de olhos. Isso é visto claramente durante a exibição daquilo que foi chamado da sua “fase racional”, quando Tim Maia virou um adepto da Cultura Racional. 

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