Texto autobiográfico
Eu sempre me senti perdida. Um furacão em meio à normalidade, alguém tão inconstante que nunca foi muito capaz de terminar nada que não fosse obrigatório na vida. Uma estranha, mas não uma estranha qualquer. Uma estranha que escrevia. Aliás, essa sempre foi a única certeza em mim, porque, desde que aprendi, a vida inteira venho escrevendo. E é bom, pois aqui você pode ser estranha, inconstante e anormal, já que sempre vai ter alguém que se identifique, mesmo que seja o reflexo de teus próprios olhos na página em branco. E quanto mais perdida, melhor fica, porque o final se mantém surpreendente até para mim. Já o essencial é que não tenha fim! Que por mais que um texto termine, ele continue em pensamentos, na prática e na emoção.
Por isso, não poderia escrever sobre outra coisa de mim além do fato de que eu escrevo. Quase um “Humanitas precisa escrever” ou “Escrevo, logo existo”. Portanto, esse texto é a história dentro da história. Afinal, não é do nada que decidimos que é uma boa tentar jornalismo e, quem sabe, esboçar um livro, ou vários. E eu quero entender. Assim como um texto se faz, não é feito, não surge do vácuo. É um processo longo de uma ideia que fica batendo na cabeça até sair da veia, cair na circulação da caneta e ganhar asas no papel. Portanto, essa reflexão é a representação do mesmo processo. E, se me perguntam como tudo começa, lhes respondo que pensem bem. Primeiro é necessário nascer, e eu diria que nascer é primordial.

